Gazeta do Ateneu
30.3.06
Z'anúncio - Salão Internacional do Livro


Salon International du Livre et de la Presse decorre do dia 27 de Abril ao dia 1 de Maio 2006, em Genebra, Palexpo. Para maiores informações, visite o site
www.salondulivre.ch

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VI Feira do Livro Manuseado - Rua Augusta (Lisboa) De 20 de Março a 2 de Abril, sempre entre as 9 e as 20 Horas, na Rua Augusta - Lisboa.

Trata-se de um evento cultural de promoçăo do livro e da leitura, organizado pela Caminho Divulgação e pela Câmara Municipal de Lisboa, com milhares de obras de diversas áreas temáticas e géneros literários dos fundos editoriais das editoras, livros para todas as idades e gostos a preços muito reduzidos.

Um mar de livros ao alcance de todos e onde se perdem os que gostam da leitura.

Fonte:
www.editorial-caminho.pt


Cristina Pires
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29.3.06
Blog-Notas - Comentários sobre a obra de Machado de Assis "O Alienista"


Comentários sobre a obra de Machado de Assis - O Alienista - (03-04-2005)

Será difícil compreender a literatura portuguesa sem a articular, na Idade Média (séc. XII a XV), com o lirismo provençal, e sem entender que ele se liga a uma expressão cultural galaico-portuguesa; durante o período clássico (séc. XVI a XVIII), com o Renascimento italiano, o Barroco espanhol e o iluminismo francês, que fazem ressaltar a especificidade do Maneirismo camoniano e a peculiaridade da nossa literatura de viagens; no séc. XIX, com o Romantismo, o Realismo, o Simbolismo e outras sensibilidades estéticas europeias; no séc XX, com o Modernismo e restantes manifestações de vanguarda e de pós-modernismo.

No Brasil, o conto, como género literário, afirma-se particularmente com o advento do Romantismo. E aqui também, como na Europa, a novidade relevante é neste século a descoberta da psicologia da personagem (circunstância que levará a focalizar principalmente nas figuras femininas a atenção do narrador). Machado vive culturalmente todas as experiências intelectuais do seu tempo de transição de um Romantismo de maneira a um Realismo que no Brasil, como na Europa, caracteriza a segunda metade do século XIX. Eis então a crítica religiosa, o evolucionismo, o darwinismo, o naturalismo e o cientismo, em todas as suas possíveis valências, mobilizados em tirar das leis da experiência quotidiana uma poética, no seu caso, de tal maneira original que chegou a ser considerada uma "ilha" em relação ao novo como ao velho mundo. É, portanto, com estes pressupostos que se torna possível examinar alguns dos contos de Machado de Assis. O primeiro e mais significativo aos fins de uma leitura de cunho psicanalítico é O Alienista.

Entre o Positivismo fin de siècle e o Neo-Realismo, no momento em que cresce a incerteza e com ela a dúvida sobre a infalibilidade da ciência, Machado dá a lume esta história inquietante, maliciosamente irónica e jocosamente satírica sobre o eterno tema da loucura: à sua maneira, na realidade, ele reescreve a história da psiquiatria.

Embora a sua fama esteja ligada aos grandes romances - entre os quais ressalta a trilogia Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1891) e Dom Casmurro (1889) - Machado permanece essencialmente um criador de contos. No sentido que exactamente a medida do conto lhe consente, mais do que o afresco do romance, a compenetração na psicologia da sociedade do Segundo Império, sua constante matéria poética. Nisto insere-se ele tanto na tradição do conto francês (Victor Hugo, Balzac, Maupassant, Stendhal, Flaubert) como na esteira de uma corrente nacional cujos primeiros modelos são autores quais José Alencar, Joaquim Manuel de Macedo e Luís Guimarães Filho. É num estilo limpido, polido e ao mesmo tempo coloquial que ao curso tipicamente linear dos acontecimentos vemos corresponder a finura da linguagem e a facilidade expressiva.

No primeiro livro que li de Machado de Assis, Dom Casmurro, Machado centraliza-se em torno do matrimónio, do ciúme, do amor-fatalidade, valendo-se de situações eternas quais o triângulo amoroso marido-mulher-amante. O matrimónio é tratado, ao longo de todo o século XIX, principalmente sob o aspecto da respeitabilidade da mulher ou da traição, esta última indagada nas suas facetas cómicas ou trágicas. Neste segundo, O Alienista, Machado serve-se do personagem Simão Bacamarte que se dedica à ciência e aos estudos da loucura; desmascara a hipocrisia humana, critica a postura cientificista e o extremo cientificismo do final do século XIX, além dos aspectos sócio-politicos. Devo dizer que, para maior entendimento da obra de Machado, neste caso O Alienista, não me debrucei sobre as Casas de Orates no Brasil, nem como os pacientes eram tratados, nem sobre os primeiros passos da psiquiatria no Brasil.

"Suponho o espírito humano uma vasta concha; o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilibrio de todas as faculdades; fora daí insânia; insânia e só insânia."

No seu dicionário de Filosofia, Simon Blackburn (verbete racionalidade) esclarece: "Aceitar uma coisa como racional é aceitá-la como algo que faz sentido, ou que é apropriado, ou necessário, ou que está de acordo com um objectivo reconhecido, tal como chegar à verdade, ou alcançar o bem".

Ao exercício de procurar e avaliar argumentos antes de aceitar como bom o que penso saber, é o que, em termos gerais, se costuma chamar razão. A razão seria então um conjunto de hábitos dedutivos, cálculos e precauções, em parte ditados pela experiência e em parte baseados nas pautas da lógica. Esta combinação constituíria uma faculdade capaz - pelo menos em parte - de establecer ou captar as relações que fazem com que as coisas dependam umas das outras, e sejam constituídas de uma determinada forma e não de outra (Leibniz).

A razão é a faculdade que nos distingue dos restantes animais, e para o Dr. Bacamarte, a razão é o perfeito equilibrio de todas as faculdades. O excesso ou escassez de uma das faculdades do ser humano, demarcaria a fronteira entre a razão e a loucura. Excesso ou escassez de modéstia, humildade, valorização exagerada do satuts, ostentação. Alguns destes desiquilibros representados por Costa, o albardeiro Mateus, o jovem Martim Brito, entre outros personagens do conto de Machado; demonstrar uma afectividade extrema, convulsiva, com paixões, cóleras, mudanças brutais de humor, etc., traz em si uma fonte permanente de delírio. A escassez do mesmo, também.

Dizia Valdez, numa outra troca de impressões sobre a obra de Machado, "Dizem, embora eu não concorde, que para entender a obra é necessário que conheçamos o seu autor". A mim, muito me ajudou conhecer um pouco da vida de Machado; como conhecer um pouco da vida de Jouhandeau, por exemplo, para saber que a sua famosa personagem Elise, é o retrato fiel da sua esposa, Elisabeth Toulemon, com todas as suas cóleras e discórdias na vida doméstica do autor.

Literatura, diria Sartre, é a tentativa do homem-escritor de criar uma realidade que possa ser exibida no mundo real e modificar as estruturas da sociedade humana, ao que eu acrescentaria que a Literatura é uma Ciência, logo "... nem a Ciência é outra coisa, Sr. Soares, senão uma investigação constante."


Cristina Pires
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28.3.06
!Y colorin, colorado...


Quem vive ou viveu num país de idioma hispânico, ou o sabe falar, com certeza que reconhece a expressão "!Y colorin, colorado, este cuento se ha acabado!" usada por muitas crianças e adultos quando lêem juntos e que indica que o conto chegou ao final.

!Y colorin, colorado... propõe contos para todas as idades.

Cristina Pires
posted by Ateneu @ 10:13 p.m.   1 comments
Blog-Notas - Guaches de uma paisagem euclidiana


Guaches de uma paisagem euclidiana


O viajante das caatingas

Ao passo que a caatinga o afoga;
Abrevia-lhe o olhar;
Agride-o e estonteia-o;
Enlaça-o na trama espinescente
E não o atraí;
Repulsa-o com as folhas urticantes,
Com o espinho,
Com os gravetos estalados em lanças;
E desdobra-se-lhe na frente
Léguas e léguas,
Imutável no aspecto desolado:
Árvores sem folhas,
De galhos estorcidos e secos,
Revoltos, entrecuzados,
Apontando rijamente no espaço
Ou estirando-se flexuosos pelo solo,
Sembrando um bracejar imenso,
De tortura,
Da flora agonizante...

Belos versos! Sem rima e sem metro, e tão belos!! Me-lo-di-o-sos. To-can-tes. Não são meus, claro. São versos de uma prosa. Nem de um poema são, mas poderiam ser. Fui eu que os destaquei assim.

Mas, se não são meus, de quem são? São pinceladas frágeis e robustas, prenhes de amor e ódio (?), em guache, da paisagem sertaneja: são de Euclides da Cunha, extraídos do seu livro Os Sertões (Campanha de Canudos), cap. IV.

Abaixo transcrevi alguns trechos, ou o todo, de algumas das suas pinceladas. Talvez nem sejam as mais belas. Manhãs sertanejas é o último trecho do capítulo IV. Não nego que o princípio do livro me foi algo difícil. Foi. Mas, a cada virar de folha, essa primeira impressão foi ficando cada vez mais longe, mais longe, mais longe...

Ávida da sua poesia, e da beleza que encontro nas suas narrações, passei ao capítulo V, Uma categoria geográfica que Hegel não citou... e decepcionei-me.

Por onde se tinha perdido o ritmo poético das narrações de Euclides, perguntei-me. Escreve Euclides, “Resumamos; enfeixemos estas linhas esparsas. Hegel delineou três categorias geográficas como elementos fundamentais colaborando com outros nos reagir sobre o homem, criando diferenciações étnicas...” etc., etc.

Mais adiante, ainda no mesmo capítulo, escreve: “E o sertão é um vale fértil. É um pomar vastíssimo, sem dono. Depois tudo isto se acaba. Voltam os dias torturantes; a atmosfera asfixiadora; o empedramento do solo; a nudez da flora; e nas ocasiões em que os estios se ligam sem a intermitência das chuvas – o espasmo assombrador da seca. E perdoei-lhe! E aprendi, penso, a conhecê-lo.

A ele se deve a minha ausência; e a ele devo um outro aprendizado. A ele, e a mais alguém.

Cristina Pires




As caatingas


Então, a travessia das veredas sertanejas é mais exaustiva que a de uma estepe nua. Nesta, ao menos, o viajante tem o desafogo de um horizonte largo e a perspectiva das planuras francas.
Ao passo que a caatinga o afoga; abrevia-lhe o olhar; agride-o e estonteia-o; enlaça-o na trama espinescente e não o atraí; repulsa-o com as folhas urticantes, com o espinho, com os gravetos estalados em lanças; e desdobra-se-lhe na frente léguas e léguas, imutável no aspecto desolado: árvores sem folhas, de galhos estorcidos e secos, revoltos, entrecruzados, apontando rijamente no espaço ou estirando-se flexuosos pelo solo, sembrando um bracejar imenso, de tortura, da flora agonizante...


A tormenta


Mas no empardecer de uma tarde qualquer, de março, rápidas tardes sem crepúsculos, prestes afogadas na noite, as estrelas pela primeira vez cintilam vivamente.
Nuvens volumosas abarreiram ao longe os horizontes, recortando-os em relevos imponentes de montanhas negras.
Sobem vagarosamente; incham, bolhando em lentos e desmesurados rebojos, na altura; enquanto os ventos tumultuam nos plainos, sacudindo e retorcendo as galhadas.
Embruscado em minutos, o firmamento golpeia-se de relâmpagos precípites, sucessivos, sarjando fundamente a imprimadura negra da tormenta. Reboam ruidosamente as trovoadas fortes. As bátegas de chuva tombam, grossas, espaçadamente, sobre o chão, adunando-se logo em aguaceiro diluviano...


O sertão é um paraíso

E o sertão é um paraíso...
Ressurge ao mesmo tempo a fauna resistente das caatingas: disparam pelas baixadas úmidas os caititus esquivos; passam, em varas, pelas tigüeras, num estrídulo estrepitar de maxilas percutindo, os queixadas de canela ruiva; correm pelos tabuleiros altos, em bandos, esporeando-se com os ferrões de sob as asas, as emas velocíssimas; e as seriemas de vozes lamentosas, e as sericóias vibrantes, cantam nos balsedos, à fímbria dos banhados onde vem beber o tapir estacando um momento no seu trote brutal, inflexivelmente retilíneo pela caatinga, derribando árvores; e as próprias suçuranas, aterrando os mocós espertos que se aninham aos pares nas luras dos fraguedos, pulam, alegres, nas macegas altas, antes de quedarem nas tocaias traiçoeiras aos veados ariscos ou novilhos desgarrados...


Manhãs sertanejas

Sucedem-se manhãs sem par, em que o irradiar do levante incendido retinge a púrpura das eritrinas e destaca melhor, engrinaldando as umburanas de casca arroxeada, os festões multicores das bignônias. Animam-se os ares numa palpitação de asas, céleres, ruflando. – Sulcam-nos as notas de clarins estranhos. Num tumultuar de desencontrados vôos passam, em bandos, as pombas bravas que remigram, e rolam as turbas turbulentas das maritacas estridentes... enquanto feliz, deslembrado de mágoas, segue o campeão pelos arrestadores, tangendo a boiada farta e entoando a cantiga predileta...
Assim se vão os dias.
Passam-se um, dois, seis meses venturosos, derivados da exuberãncia da terra, até que surdamente, imperceptivelmente, num ritmo maldito, se despeguem, a pouco e pouco, e caiam, as folhas e as flores, e a seca se desenhe outra vez nas ramagens mortas das árvores decíduas...

posted by Ateneu @ 10:02 p.m.   0 comments
ChrónosCópia

Ainda não defini que assuntos se tratarão no tema ChrónosCópia, apesar de já ter algumas ideias pré-concebidas.

Uma coisa é certa, a lei de Lavoisier y est pour quelque chose...

"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma "

Voltarei...

Cristina Pires

posted by Ateneu @ 4:04 p.m.   0 comments
Z'anúncio...
Eu Z'anúncio o lançamento de um livro, um concurso literário, um filme interessante, um documentário, um debate, um encontro literário, etc., etc.
Qualquer manifestação que, de longe ou de perto, esteja ligada à arte.
Brevemente Z'anunciaremos...

Cristina Pires
posted by Ateneu @ 3:07 p.m.   0 comments
O Ateneu blogueia-se!
Estamos na era dos blogues. Não há, nos dias de hoje, quem ainda não tenha blogueado.
Bloga-se para a esquerda, bloga-se para a direita. E o Ateneu... blogou-se.
Antes de dar ínicio a este blog, queria apresentar o grupo Ateneu. Fundado em Fevereiro 2001 por Valdez de Oliveira Cavalcanti, o Ateneu é um grupo de discussão do yahoogrupos, composto, hoje, por 18 participantes: poetas e prosadores.
Em 2003, o Ateneu publica a sua primeira Antologia : @teneu.poesi@.
"A obra @teneu.poesi@, editado pela Scortecci, é uma antologia de vinte autores, vinte ecos fragmentados em poesia, reunidos em um só livro. Vinte vidas que, através da arte escrita, escapam pela fenda da realidade e encontram um novo vão, vislumbram um outro universo... Vinte vozes narrativas que, por meio dos versos aqui agrupados, dão uma amostra das diversas abordagens estilísticas que a literatura poética proporciona... Vinte corações pulsantes caminhando, lado a lado com a poesia, em versos livres, sonetos, gazéis, rondéis, pantuns, haicais, poetrix, duetos, tercetos, quartetos ou literatura infantil. São poemas que surpreendem e prendem pela rima constante, ou pela falta dela; pela métrica simétrica, ou pela dissemetria dos versos soltos; pelo lirismo explícito ou pelo realismo cru. Os poemas seletos não foram coletados com as pinças da faculdade crítica, para comporem esta coletânea, mas, sim, plantados por inspiração, regados com sensibilidade e colhidos, na esperança, por seus vinte autores, unidos por uma linha abstrata: o sonho de verem seus textos imortalizados pelo concreto papel" (Angela Bretas/USA 2003)
Mas, um blog porquê? Porque é fácil, é barato, e dá milhões (ó velha publicidade!) de leitores, diriam alguns. Será? Talvez... Mas não foi só esse o intuito de criar um blog para o grupo Ateneu. Foi, sim, uma maneira de dar a conhecer o nosso Diário de Bordo, além de alguns poemas e prosas publicados diáriamente no grupo.
A minha proposta? Vários temas em que cada membro do Ateneu daria o seu pitaco, aumentando, assim, o saber de cada um. Porque não criar um tema "Eu z'anúncio"? Ou o tema "Clipeotéca", "Microcosmos", "Pretextos da escrita", ou "(In)útil"?
O resto da minha ideia? Bem, aos poucos vou desenvolvendo-a, e cada tema tratará de um assunto ligado, de alguma maneira, à literatura. Para saber um pouco mais, fique atento(a) e visite-nos.
Hasta la vista!
Cristina Pires
posted by Ateneu @ 10:23 a.m.   0 comments
 
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