Gazeta do Ateneu
21.11.06
"Naquele dia de verão em que choveram flores vermelhas..."



Naquele dia de verão em que choveram flores vermelhas
herculano alencar

O sol, o mar, as dunas de areia...
O vento morno a sibilar cantigas
tange os cabelos de uma rapariga
e o desejo que por mim passeia.

Ao longe... o cantar de uma sereia
faz a segunda voz da poesia.
E, absorto, em plena luz do dia
construo o meu castelo de areia.

Era um verão com cor de primavera,
como posasse pra fotografia.
E lá estava, eu, em sintonia,
no meu castelo a esculpir quimera.

De repente o vento aquiesceu.
O sol escondeu-se atrás do mar.
Não mais ouvi a sereia cantar:
Quedamos, frente a frente, tu e eu.

Vi dos teus olhos lágrimas parelhas
qual gotas de orvalho em profusão.
E por milagre, naquele verão,
choveram dúzias de flores vermelhas.



“Naquele dia de verão em que choveram flores vermelhas”

o sol traz por entre, os edifícios as dores da manhã que resplandece no murmúrio da vida o vento metálico sibila, numa morna dolente aragem, as folhas das árvores balouçando rumores esquecidos absorto na minha prisão diária, pela janela embaçada, construo nossos passos nesta prosa poética, tentando assim matar a saudade nesse verão frio, a cena que vejo emoldurada pelo batente da janela, é como fotografia fixada na retina do meu flash e do azul do céu, caem flores vermelhas atapetando a avenida dos bancários homens de negócios que só se importam com dinheiro e no canto da esquina, a mulher faminta, recolhe em sua mão as flores vermelhas que lhe aquece o coração

09.11.06 pastorelli


O vermelho dos seus olhos

TecaMiranda


Negro olhar que enfeitiça
anestesiando os sentidos
dopando sensatas razões
que o louco desejo atiça.

Pelos becos da cidade
transita o vendido corpo
marcas que vilipendiam
a vontade da caridade.

Negro olhar que derrama
densas lágrimas vermelhas
sangue lembrando a aurora
da trama que virou drama.

Pelos becos da cidade
chove flores vermelhas
cobrindo as vergonhas
das suas imoralidades.



Rubra chuva
Watfa


Em languidez, à janela recostada,
mágoa roendo minha saudade,
sinto o morno vindo da calçada,
desse verão que dorme a cidade.

Lentos ponteiros, indolente dia,
grande penúria de atos e fatos
que me despertem da nostalgia,
e unam, (que em tiras), os tratos.

Calor que me envolve, num vagar,
penetra meus sentidos e tonteia...
Delírio!Vejo rubras flores pelo ar
que minha mão, ávida, campeia.

O Cinza
Entre o Vermelho e o Negro

Elane Tomich

Desata-me o nó da garganta
nos idos do corredor
na largada corre a dor.
Uma voz passeia e canta

entre o vermelho e o negro
o cinza da ladainha
e em meu coração, um prego.
Sangra o vermelho em flor
chove a dança do amor
Um sino é campainha
também anuncia a janta!
Ó Cristo Nosso Senhor,
à paixão crucificada
flor rubra me chove e dança

O susto,minh'alma encanta
mas meu rosto não se move
Frente à soleira da entrada
a reza do tempo, parada
lembrar-me não me demove
Sangra o vermelho em flor
chove a dança do amor

À porta do sobrado antigo,
Entre o vermelho e o negro
o cinza é sobra do antigo
chuva rubra, meu castigo.



CORAÇÃO DE PURPURINA

(MORGANA)


Vou enfeitar meu coração
Com um laço de cetim,
E adorná-lo com ramos de jasmim
Afinal a minha espera chegou ao fim

Agora que te encontrei,
Ainda vivo, ainda meu,
Vou te levar além do sorriso
Minha alma em purpurina,
E também meu corpo de menina

E aos pés de uma colina,
Onde temia chorar sozinha,
Recebi além do mel dos teus beijos
E do vôo milagroso das abelhas
Uma chuva de rosas vermelhas


Beijos no concreto

Angélica T. Almstadter

12/11/06


Um grito silencioso me fez calar;
como um sopro que vindo de dentro
lambeu a nudez da minha pele fina.
Arrepiou a beleza rudimentar
da fantasia vestida de concreto.
Pairou no ar a emoção menina
que bebia em grandes goles molhados
meu espanto deliciosamente provado.
Golfadas de lágrimas tontas felizes
acenderam desejos atrapalhados.
Veria enfim o telúrico espalhado
numa chuva nova de belos matizes.
O livro da razão finalmente rasgado,
e a poesia viva destrancada da mente
beijando a terra inteira, solenemente.


Apatia

OlgaMatos

12/11/2006

Atrevida réstia
espia pela fresta
da velha janela
já desnivelada
no segundo andar
debruçada sobre a ruela!

Que importa se as flores
sobem ou caem,
morrem ou nascem,
vermelhas ou roxas,
no canteiro mofo
da vida sem cor?

Range a cama, os ossos,
o tempo ou o vento
no batente da porta?



PAIXÃO
Sandra Mamede

No desejo que está no meu peito
que faz delirar o meu coração
a minha alma grita por teu nome
meu corpo anseia o teu, pura paixão.

O mundo para mim se faz estranho
pois tudo que o forma é transformado
do céu azul , do sol que ora brilha
vejo meu mundo de fantasia formado.

Tão grande é o meu amor
que dessa minha emoção
vejo que do céu caem
flores da mais pura paixão.

Flores vermelhas...que lindas!!!
simbolizam meu amor ardente
que na minha alma guardado
qual segredo ou lamento



Flores rubras

ZéFerro, 14 nov. 2006

"Aut insanit Homo, ait Vwersus facit"


chovem flores pr'alegrar a solidão
duma rua deserta sem crianças,
o vazio nos parece imensidão
dum deserto de amor e de esperanças,
e nós somos conduzidos a pensar
no futuro da nossa Humanidade:
dedicamos menos tempo para amar,
pois isso não se ensina à mocidade,
que não sabe mais a mística da flor
nem que a flor vermelha é o amor
que está ausente da nossa sociedade...
e assim caminhamos solitários
pelas ruas desertas da existência,
sem amor, sem amigos, sem família
flores rubras só lembram a demência
do ódio, do egoísmo sem partilha!

posted by Ateneu @ 3:45 p.m.  
1 Comments:
  • At 5:31 p.m., Anonymous Anónimo said…

    É um privilégio pra mim fazer parte desse grupo!

     
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