
Naquele dia de verão em que choveram flores vermelhas herculano alencar
O sol, o mar, as dunas de areia... O vento morno a sibilar cantigas tange os cabelos de uma rapariga e o desejo que por mim passeia.
Ao longe... o cantar de uma sereia faz a segunda voz da poesia. E, absorto, em plena luz do dia construo o meu castelo de areia.
Era um verão com cor de primavera, como posasse pra fotografia. E lá estava, eu, em sintonia, no meu castelo a esculpir quimera.
De repente o vento aquiesceu. O sol escondeu-se atrás do mar. Não mais ouvi a sereia cantar: Quedamos, frente a frente, tu e eu.
Vi dos teus olhos lágrimas parelhas qual gotas de orvalho em profusão. E por milagre, naquele verão, choveram dúzias de flores vermelhas.
“Naquele dia de verão em que choveram flores vermelhas”
o sol traz por entre, os edifícios as dores da manhã que resplandece no murmúrio da vida o vento metálico sibila, numa morna dolente aragem, as folhas das árvores balouçando rumores esquecidos absorto na minha prisão diária, pela janela embaçada, construo nossos passos nesta prosa poética, tentando assim matar a saudade nesse verão frio, a cena que vejo emoldurada pelo batente da janela, é como fotografia fixada na retina do meu flash e do azul do céu, caem flores vermelhas atapetando a avenida dos bancários homens de negócios que só se importam com dinheiro e no canto da esquina, a mulher faminta, recolhe em sua mão as flores vermelhas que lhe aquece o coração
09.11.06 pastorelli
O vermelho dos seus olhos
TecaMiranda
Negro olhar que enfeitiça anestesiando os sentidos dopando sensatas razões que o louco desejo atiça.
Pelos becos da cidade transita o vendido corpo marcas que vilipendiam a vontade da caridade.
Negro olhar que derrama densas lágrimas vermelhas sangue lembrando a aurora da trama que virou drama.
Pelos becos da cidade chove flores vermelhas cobrindo as vergonhas das suas imoralidades.
Rubra chuva Watfa
Em languidez, à janela recostada, mágoa roendo minha saudade, sinto o morno vindo da calçada, desse verão que dorme a cidade.
Lentos ponteiros, indolente dia, grande penúria de atos e fatos que me despertem da nostalgia, e unam, (que em tiras), os tratos.
Calor que me envolve, num vagar, penetra meus sentidos e tonteia... Delírio!Vejo rubras flores pelo ar que minha mão, ávida, campeia.
O Cinza Entre o Vermelho e o Negro
Elane Tomich
Desata-me o nó da garganta nos idos do corredor na largada corre a dor. Uma voz passeia e canta entre o vermelho e o negro
o cinza da ladainha e em meu coração, um prego. Sangra o vermelho em flor chove a dança do amor Um sino é campainha também anuncia a janta! Ó Cristo Nosso Senhor, à paixão crucificada flor rubra me chove e dança
O susto,minh'alma encanta mas meu rosto não se move Frente à soleira da entrada a reza do tempo, parada lembrar-me não me demove Sangra o vermelho em flor chove a dança do amor
À porta do sobrado antigo, Entre o vermelho e o negro o cinza é sobra do antigo chuva rubra, meu castigo.
CORAÇÃO DE PURPURINA
(MORGANA)
Vou enfeitar meu coração Com um laço de cetim, E adorná-lo com ramos de jasmim Afinal a minha espera chegou ao fim
Agora que te encontrei, Ainda vivo, ainda meu, Vou te levar além do sorriso Minha alma em purpurina, E também meu corpo de menina
E aos pés de uma colina, Onde temia chorar sozinha, Recebi além do mel dos teus beijos E do vôo milagroso das abelhas Uma chuva de rosas vermelhas
Beijos no concreto
Angélica T. Almstadter
12/11/06
Um grito silencioso me fez calar; como um sopro que vindo de dentro lambeu a nudez da minha pele fina. Arrepiou a beleza rudimentar da fantasia vestida de concreto. Pairou no ar a emoção menina que bebia em grandes goles molhados meu espanto deliciosamente provado. Golfadas de lágrimas tontas felizes acenderam desejos atrapalhados. Veria enfim o telúrico espalhado numa chuva nova de belos matizes. O livro da razão finalmente rasgado, e a poesia viva destrancada da mente beijando a terra inteira, solenemente.
Apatia
OlgaMatos
12/11/2006
Atrevida réstia espia pela fresta da velha janela já desnivelada no segundo andar debruçada sobre a ruela!
Que importa se as flores sobem ou caem, morrem ou nascem, vermelhas ou roxas, no canteiro mofo da vida sem cor?
Range a cama, os ossos, o tempo ou o vento no batente da porta?
PAIXÃO Sandra Mamede
No desejo que está no meu peito que faz delirar o meu coração a minha alma grita por teu nome meu corpo anseia o teu, pura paixão.
O mundo para mim se faz estranho pois tudo que o forma é transformado do céu azul , do sol que ora brilha vejo meu mundo de fantasia formado.
Tão grande é o meu amor que dessa minha emoção vejo que do céu caem flores da mais pura paixão.
Flores vermelhas...que lindas!!! simbolizam meu amor ardente que na minha alma guardado qual segredo ou lamento
Flores rubras
ZéFerro, 14 nov. 2006
"Aut insanit Homo, ait Vwersus facit"
chovem flores pr'alegrar a solidão duma rua deserta sem crianças, o vazio nos parece imensidão dum deserto de amor e de esperanças, e nós somos conduzidos a pensar no futuro da nossa Humanidade: dedicamos menos tempo para amar, pois isso não se ensina à mocidade, que não sabe mais a mística da flor nem que a flor vermelha é o amor que está ausente da nossa sociedade... e assim caminhamos solitários pelas ruas desertas da existência, sem amor, sem amigos, sem família flores rubras só lembram a demência do ódio, do egoísmo sem partilha!
|
É um privilégio pra mim fazer parte desse grupo!