 Francisco Gómez de Quevedo y Villegas, filho de Pedro Gómez de Quevedo y Villegas e de María Santibáñez, nasceu em Madrid no dia 17 de Setembro de 1580 no seio de uma familia da aristocracia cortesã. Escritor espanhol, que cultivou com abundância tanto a prosa como a poesia e que foi uma das figuras mais complexas e importantes do Siglo de Oro espanhol. Homem de acção envolvido nas intrigas mais importantes do seu tempo, era douto em teologia e conhecedor das línguas hebraica, grega, latina e moderna. Destacava-se pela sua grande cultura e pela acidez das suas críticas; acérrimo inimigo pessoal e literário do culteranista Luis de Góngora, outro grande poeta barroco espanhol. De vasta e contraditória obra literária, homem culto, desgostoso, perspicaz, cortesão, escreveu as páginas burlescas e satíricas mais brilhantes e populares da literatura espanhola, mas também uma obra lírica de grande valor e uns textos morais e políticos de grande profundidade intelectual, que o faz ser o principal representante do barroco espanhol. A sua obra converge com a sua forma de vida: desenvolta e alegre nas sátiras da sua juventude - letrillas (composições poéticas em versos pequenos ou em estrofes de igual estribilho) burlescas e satíricas como "Poderoso caballero es don Dinero" - é o Quevedo mais conhecido e popular. Criticou com mordacidade atroz os vícios e debilidades da humanidade, e censurou de maneira cruel os seus inimigos, como no conhecido soneto, paradigma conceptista: "Érase un hombre a una nariz pegado...". Na sua poesia amorosa, de corte petrarquista em que o que conta é a profundidade do sentimento, Quevedo viu uma possibilidade de explorar o amor como sendo o que dá sentido à vida e ao mundo, exemplo disso é o soneto "Cerrar podrá mis ojos la postrera..." que é um dos sonetos mais belos das letras espanholas, no qual a morte não vence o amor que permanecerá no amante como é evidente no último terceti. É um poeta genial, cuja permanente actualidade, maravilhosa capacidade criadora do idioma castelhano, honradez moral e elevada lírica, dão-lhe um lugar proeminente na poesia espanhola. Da sua prolífica obra em verso, conservam-se quase 900 poemas. Da sua prosa cabe distinguir: "La vida del Buscón llamado don Pablos"; "Política de Dios y gobierno de Cristo"; "Vida de Marco Bruto"; "Los sueños" e "Los nombres de Cristo". Entre as suas poesias há um sem número de sonetos hendecassílabos, mas também abunda o romance octossilábico e a redondilha. A poesia intitulada "Epístola satírica y censoria..." é um alarde magistral de tercetos hendecassílabos encadeados. Faleceu em Villanueva de los Infantes em 8 de Setembro de 1645.
Definiendo el amor Francisco de Quevedo (1580-1645)
Es hielo abrasador, es fuego helado, es herida, que duele y no se siente, es un soñado bien, un mal presente, es un breve descanso muy cansado.
Es un descuido, que nos da cuidado, un cobarde, con nombre de valiente, un andar solitario entre la gente, un amar solamente ser amado.
Es una liberdad encarcelada, que dura hasta el postrero paroxismo, enfermedad que crece si es curada.
Éste es el niño Amor, éste es tu abismo: mirad cuál amistad tendrá con nada, el que en todo es contrario de si mismo.
Definindo o amor Francisco de Quevedo (1580-1645)
É gelo abrasador, fogo gelado, é ferida, que doi e não se sente, é um sonhado bem, um mal presente, é um breve descanso mui cansado.
É um descuido, que nos dá cuidado, um covarde, com nome de valente, um andar solitário entre a gente, um amar simplesmente ser amado.
É uma liberdade encarcerada, que dura até ao último paroxismo, inquietação que cresce se é curada.
Eis o jovem Amor, eis o seu abismo: mirai qual afeição terá com nada, o que em todo é contrário a si mismo.
Amor é fogo que arde sem se ver Luis Vaz de Camões (Lisboa ou Coimbra, c. 1524 - Lisboa, 1580)
Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Fonte: http://www.los-poetas.com/ Editado por: Cristina Pires Tradução biografia e poema: Cristina Pires
Fotos: www.bibliele.com e www.usc.es Montagem: Cristina Pires |