Gazeta do Ateneu
6.12.06
Trilogia, de Angélica T. Almstadter
Trilogia
Angélica T. Almstadter
24-08-06


Três cartas em branco.
Três sorrisos francos.
Incógnitas oferendas;
De partos as prendas.

Três recados distintos.
Três taças de absinto.
Serenatas na chuva,
Vinhos de especial uva.

Três selos marcados.
Três beijos separados.
Três idiomas estranhos,
Três caminhos risonhos.

Uma homilia e três missas.
Três nós, uma madeira maciça.
Uma anunciação, três vidas.
Três bênçãos e três feridas.

Três rios exuberantes,
Agonias lancinantes.
Três certezas consentidas,
Três belezas embrutecidas.

Essências etílicas brutais,
Vertigens tão desiguais,
Humores de frio metal,
Afiadas lâminas do mal.

Três velas içadas no mar;
Navegadores a vagar
Engolindo atônitos vendavais,
Cuspindo terríveis temporais.

Três amores e três dores,
Meus anseios e temores;
Três poemas prediletos,
Três martírios secretos.

Três caprichos da natureza,
Uma inalienável certeza;
Três vidas tivesse, três vidas daria
À cada um dessas poesias.


posted by Ateneu @ 10:11 a.m.   0 comments
21.11.06
"Naquele dia de verão em que choveram flores vermelhas..."



Naquele dia de verão em que choveram flores vermelhas
herculano alencar

O sol, o mar, as dunas de areia...
O vento morno a sibilar cantigas
tange os cabelos de uma rapariga
e o desejo que por mim passeia.

Ao longe... o cantar de uma sereia
faz a segunda voz da poesia.
E, absorto, em plena luz do dia
construo o meu castelo de areia.

Era um verão com cor de primavera,
como posasse pra fotografia.
E lá estava, eu, em sintonia,
no meu castelo a esculpir quimera.

De repente o vento aquiesceu.
O sol escondeu-se atrás do mar.
Não mais ouvi a sereia cantar:
Quedamos, frente a frente, tu e eu.

Vi dos teus olhos lágrimas parelhas
qual gotas de orvalho em profusão.
E por milagre, naquele verão,
choveram dúzias de flores vermelhas.



“Naquele dia de verão em que choveram flores vermelhas”

o sol traz por entre, os edifícios as dores da manhã que resplandece no murmúrio da vida o vento metálico sibila, numa morna dolente aragem, as folhas das árvores balouçando rumores esquecidos absorto na minha prisão diária, pela janela embaçada, construo nossos passos nesta prosa poética, tentando assim matar a saudade nesse verão frio, a cena que vejo emoldurada pelo batente da janela, é como fotografia fixada na retina do meu flash e do azul do céu, caem flores vermelhas atapetando a avenida dos bancários homens de negócios que só se importam com dinheiro e no canto da esquina, a mulher faminta, recolhe em sua mão as flores vermelhas que lhe aquece o coração

09.11.06 pastorelli


O vermelho dos seus olhos

TecaMiranda


Negro olhar que enfeitiça
anestesiando os sentidos
dopando sensatas razões
que o louco desejo atiça.

Pelos becos da cidade
transita o vendido corpo
marcas que vilipendiam
a vontade da caridade.

Negro olhar que derrama
densas lágrimas vermelhas
sangue lembrando a aurora
da trama que virou drama.

Pelos becos da cidade
chove flores vermelhas
cobrindo as vergonhas
das suas imoralidades.



Rubra chuva
Watfa


Em languidez, à janela recostada,
mágoa roendo minha saudade,
sinto o morno vindo da calçada,
desse verão que dorme a cidade.

Lentos ponteiros, indolente dia,
grande penúria de atos e fatos
que me despertem da nostalgia,
e unam, (que em tiras), os tratos.

Calor que me envolve, num vagar,
penetra meus sentidos e tonteia...
Delírio!Vejo rubras flores pelo ar
que minha mão, ávida, campeia.

O Cinza
Entre o Vermelho e o Negro

Elane Tomich

Desata-me o nó da garganta
nos idos do corredor
na largada corre a dor.
Uma voz passeia e canta

entre o vermelho e o negro
o cinza da ladainha
e em meu coração, um prego.
Sangra o vermelho em flor
chove a dança do amor
Um sino é campainha
também anuncia a janta!
Ó Cristo Nosso Senhor,
à paixão crucificada
flor rubra me chove e dança

O susto,minh'alma encanta
mas meu rosto não se move
Frente à soleira da entrada
a reza do tempo, parada
lembrar-me não me demove
Sangra o vermelho em flor
chove a dança do amor

À porta do sobrado antigo,
Entre o vermelho e o negro
o cinza é sobra do antigo
chuva rubra, meu castigo.



CORAÇÃO DE PURPURINA

(MORGANA)


Vou enfeitar meu coração
Com um laço de cetim,
E adorná-lo com ramos de jasmim
Afinal a minha espera chegou ao fim

Agora que te encontrei,
Ainda vivo, ainda meu,
Vou te levar além do sorriso
Minha alma em purpurina,
E também meu corpo de menina

E aos pés de uma colina,
Onde temia chorar sozinha,
Recebi além do mel dos teus beijos
E do vôo milagroso das abelhas
Uma chuva de rosas vermelhas


Beijos no concreto

Angélica T. Almstadter

12/11/06


Um grito silencioso me fez calar;
como um sopro que vindo de dentro
lambeu a nudez da minha pele fina.
Arrepiou a beleza rudimentar
da fantasia vestida de concreto.
Pairou no ar a emoção menina
que bebia em grandes goles molhados
meu espanto deliciosamente provado.
Golfadas de lágrimas tontas felizes
acenderam desejos atrapalhados.
Veria enfim o telúrico espalhado
numa chuva nova de belos matizes.
O livro da razão finalmente rasgado,
e a poesia viva destrancada da mente
beijando a terra inteira, solenemente.


Apatia

OlgaMatos

12/11/2006

Atrevida réstia
espia pela fresta
da velha janela
já desnivelada
no segundo andar
debruçada sobre a ruela!

Que importa se as flores
sobem ou caem,
morrem ou nascem,
vermelhas ou roxas,
no canteiro mofo
da vida sem cor?

Range a cama, os ossos,
o tempo ou o vento
no batente da porta?



PAIXÃO
Sandra Mamede

No desejo que está no meu peito
que faz delirar o meu coração
a minha alma grita por teu nome
meu corpo anseia o teu, pura paixão.

O mundo para mim se faz estranho
pois tudo que o forma é transformado
do céu azul , do sol que ora brilha
vejo meu mundo de fantasia formado.

Tão grande é o meu amor
que dessa minha emoção
vejo que do céu caem
flores da mais pura paixão.

Flores vermelhas...que lindas!!!
simbolizam meu amor ardente
que na minha alma guardado
qual segredo ou lamento



Flores rubras

ZéFerro, 14 nov. 2006

"Aut insanit Homo, ait Vwersus facit"


chovem flores pr'alegrar a solidão
duma rua deserta sem crianças,
o vazio nos parece imensidão
dum deserto de amor e de esperanças,
e nós somos conduzidos a pensar
no futuro da nossa Humanidade:
dedicamos menos tempo para amar,
pois isso não se ensina à mocidade,
que não sabe mais a mística da flor
nem que a flor vermelha é o amor
que está ausente da nossa sociedade...
e assim caminhamos solitários
pelas ruas desertas da existência,
sem amor, sem amigos, sem família
flores rubras só lembram a demência
do ódio, do egoísmo sem partilha!

posted by Ateneu @ 3:45 p.m.   1 comments
Acrósticos, de Herculano Alencar

Shape and colour on sand, by Sergei Sogokon


Uma homenagem do poeta Herculano Alencar, às musas do Ateneu.




Elane Tomich






Em teu peito dormem sossegadas
Luas, rosas, flores e estrelas...
Ainda que tu não possas vê-las,
No teu peito restarão guardadas.
E quando elas forem acordadas,



Todas as luas, rosas, flores e estrelas...
Ornar-te-ão o coração e, assim, vais vê-las
Mais e mais e cada vez mais acordadas.
Inda que tu não possas alcançá-las,
Creia-me são todas verdadeiras:
Hoje, amanhã... a vida inteira!



Fatima Cunha

Foste e por certo inda serás
A musa dos poemas de amor:
Toque misterioso a compor
Idílios por onde quer que vás.
Musa que há de fazer o sol se pôr
Antes que noite peça, por favor.

Como toda musa tu serás
Uma paixão na alma do poeta.
Nunca terás uma forma completa,
Hás de viver de sonho e fantasia
Até que o mundo acabe em poesia.


Morgana

Musa que apaixona noite e dia!
Ode ao amor e a paixão!
Retrato vivo da inspiração
Guiada pelas mãos da poesia.
Ah! Minha musa é tua primazia
Nadar no oceano do meu coração,
Até que venha Deus e diga: Não!


Sandra Mamede

Sonho que afaga o travesseiro
Ávido de lirismo e de paixão
Na meia noite - na escuridão-,
Dorme sob o luar do candeeiro.
Restos de amor exalam cheiro
Antes que a noite vá embora;
Meu coração ,apreensivo, chora
A despedida do amor primeiro.
Meu Deus, já que tu existes de verdade,
E sendo Deus é claro que tu sabes
Deixar com que um sonho não acabe
E vire, efim, uma realidade.


Cristina Pires

Cada sorriso que guardo de ti
Recria uma imagem em minha mente.
Imagem que carrego de presente
Sem nem saber ao certo do que ris.
Tenho impressão que te reconheci
Imediatamente num retrato,
Na mesma hora, no momento exato,
Após um Fado que nunca esqueci.

Perambulava em solo de Lisboa
Inteiramente livre, absorto...
Roteirizando as linhas do teu rosto,
Enquanto lia alguma coisa boa:
Soube de ti num verso de Pessoa!


Tereza Miranda

Teca, com o seu jeito delicado,
Esbanja em todo canto simpatia;
Recria o mundo pela poesia
E faz todo poeta enfeitiçado.
Zeus, o senhor do céu, idolatrado,
Anda caído pelos seus encantos!

Morto de amores, se derrete em prantos,
Inconsolado em cruel paixão.
Rogo ao céu, em sua imensidão...
Ao deus do sol, da chuva, do trovão...
Neste momento puro e verdadeiro:
Dai a Tereza um universo inteiro,
Antes que tome o meu coração.

Angélica

Antes de entregar-me a boemia,
Naturalmente, entreguei-me a ti.
Guardas meu coração de suvenir,
Ébrio dos beijos que jamais darias.
Lembro! Como me lembro aquele dia!
Inda que tenha tentado esquecer
Cada soneto que pude beber,
Até cair de beber poesia.



Olga Matos

Ontem visitei o amanhã de mim!
Levei um susto ao te ver, assim...
Grávida do poema que te fiz.
Até ontem, juro, eu não sabia

Medir co'a exatidão da poesia
A justa dimensão de ser feliz
Trago-te hoje neste poemeto
O amanhã que engravidou-te o peito,
Secretamente, como eu sempre quis.


Célia Lamounier

Cântico à minha idolatria,
És tu, oh! Doce musa dos meus versos.
Liríadas incadescem o universo
Iluminando céus de alegoria...
Até poder ouvir-te em poesia.


Arlete Andrade

Ando sentindo saudade de ti!
Recordações habitam minha mente!
Li um verso teu de antigamente
Em que tecias colchas de saudade.
Tecias lágrimas e risos -à vontade-
Entrelaçando tudo o que senti.


Watfa Ramos

Watfa-arroba-Ramos-ponto-vida:
A caixa de entrada do carinho!
Talvez o nosso único caminho
Feito de flores-bits coloridas:
Acácia, violeta, margarida,
Rosa, orquídea, flor-de-lis...
A natureza exulta de feliz!
Meu coração palpita junto dela!
Oh! Minha doce amiga -tão singela-
Soma essas flores aos versos que fiz.


posted by Ateneu @ 5:58 a.m.   1 comments
22.5.06
Marasmo (Watfa Ramos)

Marasmo
Watfa Ramos


O líquido rubro e viscoso
que percorre minhas veias
emaranhadas, formando teias,
corre célere, levando mensagem,
em sua incansável passagem ;
vai penetrando em cada órgão
e ali deixando os resquícios
do que a alma, em suplícios
lhe remete em segredo :
"Vai e diz-lhes de mim
do porquê estou assim ;
da saudade que sufoca
o coração que ela toca."
O corpo todo estremece,
indiferente à minha prece.
Os orgãos não se aquietam
e trêmulos, em espasmo,
provocam meu marasmo,
que abate e transtorna.
Fico assim prisioneira
da emoção que se forma...
É a minha sina primeira.

posted by Ateneu @ 8:25 a.m.   0 comments
22.4.06
Intrépidos cavaleiros - Osvaldo Pastorelli
Eram intrépidos cavaleiros. Guerreiros audazes que, com suas máquinas, enfrentavam terríveis perigos. Conduziam, em veículos de ultima geração, suas heroínas de um canto a outro do quintal.

Apesar da distância, tinham que enfrentar várias batalhas para transportarem as corajosas meninas que, como eles, não tinham medo de nada. O momento mais perigoso da jornada era no trecho onde seus velocípedes ficavam atolados na lama formada por eles mesmos. As três rodas do pequeno veículo chapinhavam no gosmento barro que, só com a vinda de outro, e unindo forças é que conseguiam sair do lodaçal.

As pernas franzinas e as calças curtas dos meninos, cujos suspensórios se cruzavam nas costas, estavam sujas de barro, e os vestidos das meninas, principalmente nas barras, apresentavam a mesma aparência.
- Não quero brincar mais, disse a pequena Luiza.
- Pronto, lá vem a chata estragar o brinquedo.
- Chata é a mãe, retrucou Luiza.
- Quem é chata? Repete se você é mulher, repete, menina boba, berrou o pequeno Rui.
- Isso mesmo que você ouviu, tonto. Chata é tua mãe.

E os dois se engalfinharam, rolando pelo chão. Pararam a brincadeira, formando torcida.
- Vamos Luiza, mostre que você é menina, gritavam as meninas.
- Isso mesmo Rui, mostre para essa lambisgóia quem somos nós.

Rui, por cima, aplicava tapas no rosto já vermelho da pobre Luiza. Luiza se esforçava para derrubar o primo de cima dela, mas não conseguia.
- Pede água, sua burra, vamos, pede.
- Não peço, respondeu com os olhos marejados de lágrimas.
- Ei, que isso meninos, se comportem, disse Mada, saindo da casa.

E correu para apartar os briguentos.
- Vamos, parem, nem parecem primos. Que coisa feia brigarem.
- O que foi, Mada?
- Os dois aqui, brigando. E vocês, em vez de separar, ficam atiçando.
- Luiza, já pra dentro, disse Gusta, ralhando com a filha.

Luiza, chorando, entrou na casa aos resmungos.
- Foi ele que começou, não fui eu.
- Mentira dela. Ela que começou me xingando.
- Não me interessa quem começou, já de castigo, vá para dentro.

Quando ficaram sós as cinco crianças, Cau disse:
- Dedo-duro.
- Não sou dedo-duro não, berrou Irani.
- É sim, retrucou o Vardinho. É e correu chamar as tias.
- Não sou não, vocês iam deixar eles brigando.
- Dedo-duro, dedo-duro, berraram em coro.

Irani, chorando, correu pra dentro gritando:
- Mãe, eles estão me chamando de dedo-duro.
- Que coisa feia, crianças.
- Vamos, agora vão se lavar para o almoço.
- Rápido! Sem gritaria e sem bagunça.

E lá foram eles, na maior gritaria, se lavar, esquecendo as brigas. Passaram correndo pela tia que lavava a louça.
- Cuidado para não caírem, aconselhou Vitória.
- Vitória, você não viu o Vardinho?
- Olha lá, e apontou para o quintal.
- De novo!
- Ruli, não vá brigar com ele, converse.
- Pode deixar, Vitória.

Enquanto lavava os pratos ficou observando a cunhada falar com o filho. Não conseguia ouvir o que diziam, mas pela expressão da cunhada, sabia o que se passava com o sobrinho. Não era a primeira vez que aquilo acontecia. A cunhada não entendia que eles passavam pela época da inocência.
Dali a pouco, mãe e filho entraram.
- Quer ser escritor? Perguntou Vitória.
- É. Sabe o que ele me disse?
- O quê?
- Que estava guardando aquele momento na memória para quando for grande poder escrever.
- Isso é coisa de criança, passa, sossega.
Pastorelli
29.04.03

Tela original de Pedro Neves "Frutos da terra" www.carlosmagno.fot.br
Montagem digital: Cristina Pires
posted by Ateneu @ 7:44 a.m.   0 comments
19.4.06
Nem só de abobrinhas...
Nem só de teoria literária, exercícios poéticos, troca de impressões sobre assuntos sérios, vive o grupo Ateneu.
Temos também os nossos momentos de alegria, de piadas, de riso escancarado, e de "abobrinhas". Sim, abobrinhas. E porque não? Abaixo, vai um bom exemplo disso: abobrinhas e boas letras. Este data de 2003 e foi publicado pelo nosso Xerozo (Zéferro) no site Usina de Letras (www.usinadeletras.com.br), mas tantos outros momentos iguais se seguiram.
Uma boa leitura.


Aos amigos e amigas, eis aí um exemplo dos nossos exercícios de poetar no Ateneu, ateneu@yahoogrupos.com.br

Marques (Zéferro)

----- Original Message -----
From: Lucelena
To: Ateneu@yahoogrupos.com.br
Sent: Saturday, February 22, 2003 8:10 AM
Subject: Re: [Ateneu] Simplesmente Mulher - Conceitos de Beleza - Mulher feia -


Taí ZéFerro, Missão cumprida...... Você é abençoado!!!! (rsss)

abrçs
lucelena
----- Original Message -----
From: Fátima Marques da Cunha
To: Ateneu@yahoogrupos.com.br
Sent: Friday, February 21, 2003 10:20 PM
Subject: Re: [Ateneu] Simplesmente Mulher - Conceitos de Beleza - Mulher feia -


Zezin, keridin, tu é bom D+!!! A galera feminina te ama de montão!!!


----- Original Message -----
From: JF Marques de Souza
To: Ateneu@yahoogrupos.com.br
Sent: Friday, February 21, 2003 10:11 PM
Subject: Re: [Ateneu] Simplesmente Mulher - Conceitos de Beleza - Mulher feia -


Missão do homem
Zéferro

Santa não é a mulher
Que se ama com ardor
Mas a ela sempre quer
Adorar o nosso amor

Dedicar-lhe a paixão
Que nos torna seu escravo
E com toda emoção
Defendê-la como um bravo

Fazer dela o farol
Que ilumina nossa vida
E aquece como um sol
Dá sentido à nossa vida

Suaviza o tropeço
Incentiva o retomar
Ela é o fim e o começo
O porto pra onde voltar

Deus nos fez com intenção
Carente e incompleto
E nos deu um coração
De amor todo repleto

Eis do homem a missão
Ser sempre um doador
Encontrar o coração
Para aceitar seu amor!

----- Original Message -----
From: Fátima Marques da Cunha
To: Ateneu@yahoogrupos.com.br
Sent: Friday, February 21, 2003 9:47 PM
Subject: Re: [Ateneu] Simplesmente Mulher - Conceitos de Beleza - Mulher feia -


Punicácia!!! Estou entendendo os dois... querem dizer a mesma coisa, praticamente... uffffaaaa, mas enquanto isso: clap, clap, clap!!! Só não entro nessa pq estarei ocupada falando de coisa melhor.... beleza masculina!!!

----- Original Message -----
From: Lucelena
To: Ateneu@yahoogrupos.com.br
Sent: Friday, February 21, 2003 9:06 PM
Subject: Re: [Ateneu] Simplesmente Mulher - Conceitos de Beleza - Mulher feia -


Verdade

A mulher não é santa
pra ser colocada em altar
veja como ela se apresenta,
e não há de decepcionar

Como tudo é verdadeiro
até que se prove o contrário
decepção pro companheiro
é deusa que fuja ao imaginário.

Raça, peso, beleza, religião
de fato são detalhes, não deve contar
fidelidade sim, tem estadia no coração
de quem sabe o amor conquistar

Na verdade as qualificações
são tipos agregados, confundem
mas há homens cheios de paixões
querendo entrar de cabeça, ir fundo...

----- Original Message -----
From: JF Marques de Souza
To: Ateneu@yahoogrupos.com.br
Sent: Friday, February 21, 2003 7:37 PM
Subject: Re: [Ateneu] Simplesmente Mulher - Conceitos de Beleza - Mulher feia -


Tréplica
Zéferro

Quando se põe a mulher
No altar da adoração
Uma nuance qualquer
Não mexe com o coração

Ou nossa deusa ela é
E mostra que é verdadeira
Merecendo nossa fé
Nossa vera companheira

Ou falsa se apresenta
Por não ser quem se deseja
E o coração lamenta
Que o nosso amor não seja

Mas se desperta o amor
Nada mais vai importar
Raça, feição, peso, cor
Terminou o procurar

Somente a ela compete
Merecer a adoração
Pois o amante repete
Aceita meu coração!

----- Original Message -----
From: Lucelena
To: Ateneu@yahoogrupos.com.br
Sent: Friday, February 21, 2003 5:08 PM
Subject: Re: [Ateneu] Simplesmente Mulher - Conceitos de Beleza - Mulher feia -


Réplica

Zéferro então vou dizer
ocê deve tá enganado
existem tantas a conhecer
que te deixariam embriagado

Como mulher eu te falo
cuidado ao usar a expressão
falsa e verdadeira, num estalo
mulheres são cabeça e coração

Ninguém é inteiramente "verdade"
falando do animal, homem e mulher
e nem tão pouco falsidade
se a paixão a ambos convier


Você mesmo pode observar e dizer
a verdadeira de outro
pode ser falsa pra você...

Então volto a afirmar
há muitos tipos de mulheres
e de homens também
mas num arriscaria frisar
se são do mal
ou do bem.

----- Original Message -----
From: JF Marques de Souza
To: Ateneu@yahoogrupos.com.br
Sent: Friday, February 21, 2003 3:29 PM
Subject: Re: [Ateneu] Simplesmente Mulher - Conceitos de Beleza - Mulher feia -


Discordo
Zéferro

Minha cara Lucelena
Eu vou discordar de ti
Só dois tipos de mulher
Neste mundo eu já vi

E aqui eu te confesso
Sem um sinal de maldade
Ou existe a mulher falsa
Ou a mulher de verdade

Quando se encontra a mulher
Inteira, mulher de raça
Nada mais se admira
Que não seja a sua graça

Não importa sua cor
A beleza está lá dentro
E se morre de amor
Da vida se torna o centro!

----- Original Message -----
From: Lucelena
To: Ateneu@yahoogrupos.com.br
Sent: Friday, February 21, 2003 7:53 AM
Subject: Re: [Ateneu] Simplesmente Mulher - Conceitos de Beleza - Mulher feia -


Simplesmente Mulher
lucelena maia

Há mulheres de todos os tipos
da pele branca a negra
da sonhadora cética
à simples, sincera, donzela.
Da frágil à cheia de razão.
Há também a intempestiva,
impetuosa, brincalhona,
e a que parece um avião...
Há a feia e a baixinha,
a magra serena
a boa mãe, boa filha
a de todos os credos,
as comedidas e as espinhadas,
as sofridas e as desligadas,
as estudiosas e inteligentes,
e as que se escondem para
não olhar de frente.
Há a vaidosa e bonita,
a cheia de silicone,
a que fala demais,
a humilde chorona.
Há aquela que não concebe
e a que maltrata o filho,
a de corpo malhado, sedutora,
a solteira que só fica.
Há a separada, a viúva,
as que gostam de homens
e as que não simpatizam
com quem usa barba e bigode.
Há a mulher submissa,
a revoltada, a gorda,
a resolvida e feliz,
e a que em tudo mete o nariz.
Há a que se ache inteligente,
a que o é sem parecer,
a que vive como indigente
e a que luta para viver.
Há a sorridente,
mas há também a infeliz,
a que soluciona problemas,
e a que os atrai para si.
Há enfim, todos os tipos de mulheres,
de todas as raças, todas as culturas,
classes sociais,
postura política,
as geniosas ativistas,
as que lutam por justiça,
e as que gostam de ser
apenas mulher...
21/02/2003


........................................................................................................
Conceitos de Beleza...
(( Angela Bretas ))


Que beleza plástica é esta,
que vende milhões,
desperta inveja,
atiça o desejo
e apodrece
debaixo de sete palmos,
como todos os mortais?

Que beleza triste é esta,
que refletem olhos mareados
carentes de elogios sinceros,
que sentem a falta de alguém
que consiga enxergar muito
mais além...?

Que beleza solitária é esta
da modelo com pose de boneca de cera,
que não pode verter lágrimas
para não estragar a maquiagem,
que é tida como um estereótipo
de mulher perfeita,
mas que sofre, sente, chora
como qualquer ser humano...?

Que beleza doentia é esta,
que trava batalhas com balanças,
em dietas para ganhar
e perder peso,
rotulando o segredo da felicidade da vida
em quilos a mais
e quilos a menos... ?

Que beleza magnífica é esta
refletida nos sorrisos
que nascem espontâneos
em bocas
desprovidas de conceitos futis,
em faces enrugadas,
em corpos satisfeitos ,
que transmitem
alegria serena
de quem é feliz...?



@copyright by Angela Bretas - direitos reservados

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Mulher feia
((Zéferro, 19/01/2003))


Sobre a Terra não existe mulher feia
Sempre haverá um olhar apaixonado
Que se entregue submisso à cadeia
Do encanto que lhe foi designado

É verdade que a beleza está no olhar
De quem fita pra saber se admira
E enxerga de repente o seu par
Num instante se entrega e suspira

A partir deste momento nada vê
Eis a feia para os outros feita bela
E nem ela na verdade pode crer
Que merece a seresta na janela

É bem certo o dizer que o coração
Sobrepõe-se muito fácil à razão!
posted by Ateneu @ 9:35 a.m.   0 comments
Cordel - O turkin reinventado, de Herculano Alencar

O turkin reinventado

Herculano Alencar



Antes do Cristo nascer,
pouco mais de três milanos,
nem tinha paraibano
pra cearence “morder”...
Começou a florecer
um povo, dito, sem vícios,
que veio a ser os Fenícios
nascidos dos Cananeus:
Magote filho de Deus,
tiveram vida difícil!

Este povo deu início,
como reza na história,
uma luta meritória
e de muito sacrifício,
pra dá conta do ofício
de construir sua nação:
Sofreram a escravidão,
domínio grego e romano,
de francês e otomano
de César a Napoleão.

Apesar da humilhação
de um povo dominado,
seu douto professorado,
homens de grande instrução,
criaram a concepção
do código justiniano,
que depois de muitos anos
de aperfeiçoamento,
assentou os fudamentos
das leis do povo romano.

Deste céu mediterrâneo,
fronteiriço de Israel,
um famoso menestrel,
sujeito de muito crânio;
Um feliz contemporâneo
de Nabucodonosor,
para o Brasil imigrou,
se assentou em Araxá,
vivendo feito um paxá
que dona Beija, beijou.

Dizem que foi ouvidor
do rei, em todo o reinado,
que caiu, enamorado,
por Beija se apaixonou.
Com ela não se casou,
pois tinha a sua princesa.
Com a bela libanesa,
a primeira namorada,
viveu um conto de fada
de muito amor e riqueza.

De tamanha boniteza,
foram nascendo os rebentos,
que herdaram os talentos,
honestidade e nobreza,
inda de sobra, a destreza,
e um tino infernal;
Um pouco de capital
para montar o negócio.
Pai e filho foram sócios
na área comercial.

O filho: Tannús, Faiçal,
era o contabilista,
professor, malabarista,
etcetera e coisa e tal.
Cozinheiro, sem igual!
De vatapá a chucrute,
pra num falar do Beirute,
sua especialidade,
faz, com muita qualidade,
queijo mineiro e quitute.

Seu moço, ocê me escute!
Como diz o bom mineiro.
O cabra ganha dinheiro
até fazendo vermute.
Calculado, assim, no chute,
que só em ouro maciço
deixou num banco Suíço
quase uma tonelada.
Tudo em barra marcada,
que pra ninguém dá sumiço.

‘Cê pensa que é só isso?
Inda por cima é artista...
É um grande cordelista,
desses de veio castiço,
de dá conta do serviço
do começo até o fim.
Até mesmo Seu Ferrin,
o maior adversário,
cordelista sanguinário,
com ele, come capim,

É mesmo um espadachim
o nosso grande Faiçal,
curtido na água e sal,
pras musas é um jasmim.
Poeta tupiniquim,
vive, na sua redoma,
com tudo aquilo que ama,
inclusive o vil metal.
Mas seu maior capital
tá no coração de Roma.

posted by Ateneu @ 8:54 a.m.   0 comments
18.4.06
Ciranda "Conclamação" - Grupo Ateneu

Ciranda - Xilogravura de

Yole Travassos (www.yoletravassos.com.br)


1. Conclamação
Zéferro, 120405 10:35

Eis os bardos e as musas tão silentes
Não se ouvem mais cantos pelo ar
'Stamos todos tão tristes e carentes
Que saudades dos tempos de cantar!
Venham todos com seus versos mais quentes
Vamos todos a liça alegrar!
Esta vida é curta e passageira
E a ventura se vai! Breve e ligeira!

2. Conclamada
Elane Tomich, 120405 13:35

... o sorriso que se foi à casa volta
em corcel de versos breves, venturosos!
Conclamado a novos ares corre à solta
um perfume virtual de amor doloso
Esta gente que é fieira preciosa
nos aquece de afeto, teia envolta
pois que o afago dedicado aos amigos
é a prece que me guarda do perigo.

3. Conclamação
Faiçal- 12/04/05
Eis que se agiganta na hora certa
E retorna com seu cadente rufar
Marchemos todos c’ o poeta
Na alegria do seu poetar!
Venham sim, no ritmo quente
Vamos que vamos alavancar
Nossa vida é curta e passageira
E a ventura se vai! Breve e ligeira!

4. Conclamação
Cleide Canton 120405 16:55

Não fique só na brancura
dos seus versos cristalinos
Tente além, veja a doçura
das rimas dos nossos hinos.
Na idéia não há censura
nem moldes em figurinos.
Solte o verbo, grite forte
e dome o seu vento norte.

5- Conclamação
Cristina 12/04/05 19:10

Se me calo durante longos dias,
- A voz se me enregela c'a geada... -
E de mim já não ouves melodias,
É porque a Primavera foi trancada
Às portas d'um Inverno que me urdias...
Ainda assim, nas montanhas condenada
Vou semeando nas suas vertentes
Clamores escarpados e pungentes!...

6- CONCLAMAÇÃO
Olga 12/04/2005
( aqui ainda é 12, Portuguinha!)

Meu canto não calou, inda porfia!
Na poesia que a mente fia,
envia ao infinito silencioso,
suspiros gemidos de meu choro!
Saudosas emoções, motrizes ,
felizes e tristes, tramando fios,
filigranas auríferos
nas letras, rainhas e reis
trançando poemas!
Ah, que saudades tenho!

7- CONCLAMAÇÃO
Célia Lamounier - agora já é 13.04

Se a ventura se vai, breve e ligeira,
Certamente o poeta vai chorar
Esquecendo que a vida passageira
Tem o momento certo de cantar.
Que venha a inspiração mais verdadeira
Devaneios em noite de luar.
E o poeta de amor vai colorir
Nosso Ateneu com versos, a sorrir.
.........
posted by Ateneu @ 8:55 a.m.   0 comments
16.4.06
Uni-Versos

Francisco Gómez de Quevedo y Villegas, filho de Pedro Gómez de Quevedo y Villegas e de María Santibáñez, nasceu em Madrid no dia 17 de Setembro de 1580 no seio de uma familia da aristocracia cortesã. Escritor espanhol, que cultivou com abundância tanto a prosa como a poesia e que foi uma das figuras mais complexas e importantes do Siglo de Oro espanhol.
Homem de acção envolvido nas intrigas mais importantes do seu tempo, era douto em teologia e conhecedor das línguas hebraica, grega, latina e moderna. Destacava-se pela sua grande cultura e pela acidez das suas críticas; acérrimo inimigo pessoal e literário do culteranista Luis de Góngora, outro grande poeta barroco espanhol.
De vasta e contraditória obra literária, homem culto, desgostoso, perspicaz, cortesão, escreveu as páginas burlescas e satíricas mais brilhantes e populares da literatura espanhola, mas também uma obra lírica de grande valor e uns textos morais e políticos de grande profundidade intelectual, que o faz ser o principal representante do barroco espanhol. A sua obra converge com a sua forma de vida: desenvolta e alegre nas sátiras da sua juventude - letrillas (composições poéticas em versos pequenos ou em estrofes de igual estribilho) burlescas e satíricas como "Poderoso caballero es don Dinero" - é o Quevedo mais conhecido e popular. Criticou com mordacidade atroz os vícios e debilidades da humanidade, e censurou de maneira cruel os seus inimigos, como no conhecido soneto, paradigma conceptista: "Érase un hombre a una nariz pegado...".
Na sua poesia amorosa, de corte petrarquista em que o que conta é a profundidade do sentimento, Quevedo viu uma possibilidade de explorar o amor como sendo o que dá sentido à vida e ao mundo, exemplo disso é o soneto "Cerrar podrá mis ojos la postrera..." que é um dos sonetos mais belos das letras espanholas, no qual a morte não vence o amor que permanecerá no amante como é evidente no último terceti. É um poeta genial, cuja permanente actualidade, maravilhosa capacidade criadora do idioma castelhano, honradez moral e elevada lírica, dão-lhe um lugar proeminente na poesia espanhola.
Da sua prolífica obra em verso, conservam-se quase 900 poemas. Da sua prosa cabe distinguir: "La vida del Buscón llamado don Pablos"; "Política de Dios y gobierno de Cristo"; "Vida de Marco Bruto"; "Los sueños" e "Los nombres de Cristo".
Entre as suas poesias há um sem número de sonetos hendecassílabos, mas também abunda o romance octossilábico e a redondilha. A poesia intitulada "Epístola satírica y censoria..." é um alarde magistral de tercetos hendecassílabos encadeados.
Faleceu em Villanueva de los Infantes em 8 de Setembro de 1645.




Definiendo el amor
Francisco de Quevedo (1580-1645)

Es hielo abrasador, es fuego helado,
es herida, que duele y no se siente,
es un soñado bien, un mal presente,
es un breve descanso muy cansado.

Es un descuido, que nos da cuidado,
un cobarde, con nombre de valiente,
un andar solitario entre la gente,
un amar solamente ser amado.

Es una liberdad encarcelada,
que dura hasta el postrero paroxismo,
enfermedad que crece si es curada.

Éste es el niño Amor, éste es tu abismo:
mirad cuál amistad tendrá con nada,
el que en todo es contrario de si mismo.


Definindo o amor
Francisco de Quevedo (1580-1645)

É gelo abrasador, fogo gelado,
é ferida, que doi e não se sente,
é um sonhado bem, um mal presente,
é um breve descanso mui cansado.

É um descuido, que nos dá cuidado,
um covarde, com nome de valente,
um andar solitário entre a gente,
um amar simplesmente ser amado.

É uma liberdade encarcerada,
que dura até ao último paroxismo,
inquietação que cresce se é curada.

Eis o jovem Amor, eis o seu abismo:
mirai qual afeição terá com nada,
o que em todo é contrário a si mismo.


Amor é fogo que arde sem se ver
Luis Vaz de Camões (Lisboa ou Coimbra, c. 1524 - Lisboa, 1580)


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?



Fonte: http://www.los-poetas.com/
Editado por: Cristina Pires
Tradução biografia e poema: Cristina Pires

Fotos: www.bibliele.com e www.usc.es

Montagem: Cristina Pires

posted by Ateneu @ 8:34 p.m.   0 comments
 
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